Natural de Teixeira Soares (PR), é filho de Teodoro Bahniuk e Eugênia Bahniuk. Em virtude da profissão de seu pai, que era ferroviário, a família estabeleceu-se em Ponta Grossa (PR). Nesta cidade, no mês de dezembro de 1969, o entrevistado concluiu o Ginásio profissionalizante da Rede Ferroviária Federal, com apenas 17 anos, na qualificação de torneiro mecânico.
Logo na sequência, mas já no ano de 1970, passou a cursar o 1º ano do Curso Científico. As aulas ocorriam à noite. Durante o dia “eu fazia o curso de Datilografia e ministrava aulas no Curso de Admissão ao Ginásio de forma gratuita para a ‘piazada’ da minha rua”. Na época, o sistema de ensino brasileiro era estruturado de forma muito diferente da atual.
O ensino básico era subdividido em curso primário e ginasial. Cada curso tinha duração de 4 anos. Dessa forma, o Curso de Admissão ao Ginásio servia para preparar os estudantes que haviam concluído o ensino primário para enfrentar o exame de admissão, uma prova obrigatória para quem quisesse ingressar no ginásio.
Foi neste mesmo ano de 1970 que o entrevistado precisou alistar-se no serviço militar obrigatório no 13º Regimento de Infantaria, também em Ponta Grossa, ficando apto à incorporação. “Foi então que meu irmão, o 3º sargento Bahniuk do Exército Brasileiro, servindo em Curitiba, me informou que estavam abertas as inscrições para o curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) e acrescentou: você deve fazê-lo!”
O incentivo seria o prenúncio da sua trajetória na PMSC. A inscrição e participação no concurso exigia viagem para Florianópolis/SC. O entrevistado recorda que “no dia 7 de dezembro à tarde tomei um ônibus com destino a Curitiba, onde pernoitei, era a minha primeira viagem de ônibus intermunicipal, ainda tinha catraca, mas eu não a pulei”, brinca.
Armas apreendidas em diligência em Timbó Grande expostas na escadaria do 3ºBPM / Acervo do Sd Marco Ferraz
No dia seguinte, a viagem prosseguiu. Chegou à Florianópolis, no bairro Estreito, às 11 horas da manhã. O entrevistado foi recebido por um sargento que o informou de que era feriado religioso naquele dia 8 de dezembro. Trata-se do dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, “então lá fui eu para um hotel (também a primeira vez). No outro dia fui para a Trindade e inscrição feita!”
Naquele período, uma vez inscrito no concurso, era possível ao candidato ficar alojado e fazer as refeições (arranchamento) no Centro de Ensino da Polícia Militar. Lembra que “no dia 4 de janeiro de 1971 iniciou o processo de seleção, coisa que durou pelo menos umas quatro semanas até sair o resultado final. Fiquei arranchado, não ia à praia e o dinheiro era contado”.
O tempo livre era ocupado lendo algum livro. Dentre eles, Dom Casmurro, de Machado de Assis, e estudando. Lembra-se de que, durante o exame intelectual, cada dia era realizada uma prova. A primeira delas era Português. Para a prova de Redação “foram dados três títulos, podendo optar por um deles: ‘Um livro que eu li’, ‘Eu’, porém não lembro do terceiro título”.
Já para a prova de Matemática, uma das questões cobradas “foi aquele problema do cavalo percorrendo um círculo” do Livro de Admissão ao Ginásio. Nas provas de História e Geografia, a maioria das questões também foi retirada desse livro. Após todas as etapas, o Entrevistado obteve êxito, sendo aprovado em terceiro lugar no concurso.

1º Ten Eriel Ivo Bahniuk é o primeiro da E para a D / Acervo da revista Polícia em Foco 1980 / Imagem restaurada digitalmente
Uma vez aprovado, no dia 1º de março de 1971, “iniciou-se então o Curso de Formação de Oficiais (CFO), me deram o nome de guerra Bahniuk e meu número passou a ser o 3 (três) por ter sido aprovado em 3º lugar no concurso”. Com o ingresso no CFO, “o comando da PM me isentou do crime de insubmissão por ter deixado de me apresentar para servir o Exército naquele mês de março no 13º RI em Ponta Grossa (PR)”.
Após concluir o curso, obtendo o segundo lugar da turma, o então aspirante-a-oficial Bahniuk apresentou-se no 3ºBPM em fevereiro de 1975, junto com o seu amigo, aspirante-a-oficial Sadi. A escolha por Canoinhas foi porque assim ficava mais próximo da família que morava em Ponta Grossa.

Oficiais do 3ºBPM: 1º Ten Eriel Ivo Bahniuk é o primeiro da E para a D / Acervo da revista Polícia em Foco 1980 / Imagem restaurada digitalmente
Em Canoinhas, serviu de fevereiro de 1975 até setembro de 1982, portanto, sete anos e meio. Ao ser promovido a capitão, foi transferido para Lages, onde estava sendo instalado o 6º Batalhão de Polícia Militar (6ºBPM). Lages, até aquele momento, havia sido a 4ª Companhia do 3ºBPM.
No período em que serviu no 3ºBPM, o coronel Bahniuk viveu importantes momentos de sua vida pessoal e de sua carreira. Foi em Canoinhas que contraiu matrimônio com a senhora Roselis (Peca) que é filha do sargento Wagner (Fiep), in memoriam.

Termo de abertura do livro histórico do 3ºBPM assinado pelo 2º tenente Bahniuk / Reprodução
O encontro ocorreu nas dependências do quartel. “Eu a conheci no Cassino dos Oficiais do 3º BPM quando eu disputava uma partida de xadrez válida pelos Jogos da Primavera de Canoinhas”. Da união, nasceram duas filhas. “Depois, morando em Florianópolis, além dos genros vieram dois netos”.
Sobre a atuação profissional, o Entrevistado exerceu por muito tempo a função de Chefe do SERP/3ºBPM, responsável pelo serviço de relações públicas, que hoje corresponde ao P5 do batalhão. Além disso, por aproximadamente dois anos foi comandante do Pelotão de Trânsito, “ambas funções muito gratificantes para mim”.

Parte do efetivo do 3ºBPM: Ten Bahniuk é o sétimo da E para a D / Acervo do 3ºBPM
Recorda-se de ocorrências difíceis. “A pior missão a mim atribuída foi comandar o pelotão de abate de aproximadamente 1.350 suínos (peste suína) do Frigorífico Canoinhas e fazenda Haack nos dias 30 de agosto e 1° de setembro de 1978”. A tristeza de ter que sacrificar os animais marcou sua trajetória. O episódio ficou registrado no livro de memórias de sua autoria denominado Dia de Chuva.
A missão policial que mais o marcou foi durante uma campanha de vacinação. “Eu fui escalado para acompanhar a equipe de saúde. Não lembro bem qual era a serra, se a Serra do Lucindo ou alhures”. Quem o acompanhou foi seu sogro. “Pedi também para escalarem o sargento Wagner (Fiep), porque ele conhecia um pouco o lugar e tinha alguns conhecidos por lá”.

Homenagem recebida do Curso de Formação de Sargento do 3ºBPM em 1982 / Reprodução
A campanha ocorreu em um sábado. “Cuidamos para chegar com antecedência de uma hora ao início do evento e com o apoio de alguns moradores e da equipe de saúde montamos o posto de vacinação e alguns entretenimentos, embora fosse um dia muito frio”. As pessoas que chegavam eram recebidas com “aquele bom dia e com aperto de mão”.
A interação com a comunidade foi tão boa que “ao meio-dia ofereceram frango assado e até cervejas para nós”. O mais curioso é que “lá pelas três horas da tarde apareceu um cidadão que havia levado um tiro no peito no lado direito e quando respirava uma bolha de sangue ia e vinha no buraco causado pela bala”. Relutou por algum tempo, “mas depois de duas horas alguém o conduziu ao Hospital Santa Cruz de Canoinhas (HSC)”.

Em pé da E para a D, Capanema, Bahniuk, Edu Straub, José Carlos Rossato, Rogério Bastos e Pilati / Acervo Eriel Ivo Bahniuk
Nas décadas de 1970 e 1980 eram comuns as grandes operações de desarmamento rumo ao interior do município. O Entrevistado participou dessas operações. Uma delas transcorreu em 7 de junho de 1977, envolvendo 79 militares, os quais, divididos em duas equipes, percorreram o interior de Canoinhas, Bela Vista do Toldo, Major Vieira, chegando a Timbó Grande, área que ainda fazia parte do batalhão. Nessas diligências, eram recolhidos diversos armamentos, havendo fotos no quartel desses episódios.
Ainda do período em que esteve em Canoinhas, guarda várias boas lembranças. Ministrou aulas no colégio Almirante Barroso “da então querida Diretora Dona Ildegar Thiem”. Participou de muitos desfiles cívicos de 7 de setembro, tanto na rua Vidal Ramos, quanto na Paula Pereira.

Desfile 7 de setembro de 1977 em Canoinhas: Ten Bahniuk em destaque usando quepe / Acervo pessoal
Lembra-se do Bar Cometa “onde eu ia tomar uma cervejinha, da Rádio Canoinhas onde eu sintonizava o programa do meu querido amigo Roberto Edi”. Fez amizades com diversos oficiais e praças com quem serviu em Canoinhas. Dentre eles, “Comandante Dinoh Antônio Corte, Tenente Capanema, hoje Coronel residindo aí em Canoinhas, Sargento Adur, Soldado Lauro Rocha e tantos outros Oficiais e Praças com os quais compartilhamos amizade e oportunidade de prestar serviço nesse 3ºBPM”.
Em junho de 1996, ao ser promovido ao posto de tenente-coronel, foi designado para comandar o 6º Batalhão de Polícia Militar em Lages. “Eu tive o prazer de comandá-lo até junho de 1997, quando então passei para a reserva remunerada”. Deixou muitos amigos durante seu período de caserna e continuou atuando em atividades ligadas ao trânsito.

Coronel veterano Banhniuk e capitão Gudas em São José (SC) em 2025 / Divulgação
O coronel veterano Eriel Ivo Bahniuk é dotado de grande aptidão literária. Além de seu livro Dia de Chuva, já mencionado, foi o responsável pelo termo de abertura e por grande parte do conteúdo do Livro Histórico do 3ºBPM que contém diversos fatos do batalhão, desde operações policiais até visitas oficiais de autoridades, entre os anos de 1976 e 1982, sendo um riquíssimo documento sobre a Unidade. É também dotado de memória admirável, o que comprova com as excelentes declamações que realiza com seus netos.
*Diego Gudas é capitão da Polícia Militar


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