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A FILOSOFIA EM PORTUGAL E NO BRASIL (II)

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A principal ideia filosófica possui traços da universidade portuguesa Colégio das Artes, contendo a mesma proposta teológica, compreendendo que a razão está a serviço da fé para o conhecimento divino. Nesta direção pode-se citar Antônio Vieira, que possuindo sua formação no Brasil, através dos métodos jesuíticos, buscou tornar o conhecimento de si a fonte de suas reflexões e, com isto se pode conceber uma Filosofia Nacional, não somente seguindo os padrões advindos de Portugal, além de abrir o pensamento para a utilização da razão. Como método utilizava as figuras de linguagem, na forma de metáforas, para expressar ideias e torná-las claras. Nota-se que há uma dualidade em Vieira, pois a alma recebe o livre arbítrio, porém o corpo é quem paga por tal liberdade, e ao tomar consciência de si, consegue compreender que sua condição natural é também uma condição moral.

 

 

 

Como forma de livre arbítrio, reconhece os direitos e com isto desenvolve questões políticas, como no caso da Escola de Salamanca, onde o rei possui um poder divino e através do povo se efetiva este poder, um emissor da graça divina. Então possuem-se duas questões, uma de direito individual e a outra de direito coletivo. Ou seja, aquela que parte do indivíduo e aquela que parte do Estado. Com isso Vieira reconhece que o negro possui o direito à liberdade, pois sua forma de vida é alheia de seu colonizador, porém reconhece igualmente o direito à mão de obra que gera. Todavia, uma forma de se libertar de tal situação é conhecendo a si, possuindo como referência Cristo, que conseguiu a libertação após ser crucificado, libertou-se do sofrimento físico e salva sua alma, pois Deus deu a graça de conhecer a si, e com isto terá a salvação baseada na sua fé, sendo um cristão.

 

 

 

Só adquirimos identidade brasileira no pensamento filosófico no século XIX, quando houve a assimilação da filosofia moderna com o uso teórico da razão, porém, já no final do século XVIII, com o poeta Souza Caldas, que publica o poema “Ode ao homem selvagem”, sob a ideia do homem natural de Rousseau. Todavia, notamos que um dos principais difusores de um novo método de pensar foi Gonçalves de Magalhaes, que buscou denunciar a doutrina aristotélica e utilizar a imitação como fundamento da retórica de forma coletiva. Além de incorporar o indígena como parte da população nacional, expõe também, que se uma pessoa pode se alienar a um patrão, uma população assim também o pode em prol do desenvolvimento nacional. Gonçalves ao se deparar com as questões trabalhistas em Paris, viu-se com os “escravos de raça branca”, e apesar de admirar os avanços econômicos não conseguia enxergar a dignidade humana em tais condições.

 

 

 

Com o positivismo de Comte e a Teoria de Darwin em relação à seleção natural das espécies, houve um maior teor científico com a Escola de Recife, onde a ciência usou uma visão imparcial para as condições histórico-culturais de si. Tobias Barreto buscou desqualificar os pensadores conservadores, e para isso inaugurou a historiografia brasileira. Referia-se à escravidão como algo natural, porém sua aplicação é uma questão cultural e cabe a ela não existir. E apesar de haver uma questão natural, pode-se, a partir da conquista da liberdade, libertar-se dessas amarras sociais e não somente ver o homem como alguém que pensa, mas que pensa visando a um fim, e dirigir-se a ele.

 

 

 

Por fim devemos citar Farias Brito, que apresentou um pensar filosófico ao Brasil, onde a ação moral quando própria de sua intencionalidade é livre e criadora.  E o espírito é considerado em si e não de um pressuposto físico, pois não tem como objetivar as experiências do psíquico como as do físico. E as do psíquico criam e agem sobre as físicas. As experiências sensíveis não conseguem transmitir a verdadeira consciência e ambas são dois absolutos e por isso é impossível explicar o psíquico através dos fenômenos naturais.

 

 

 

Bruno Cesar Cechet

Acadêmico de Filosofia UNIASSELVI – FAMESUL

Graduando do 5° período

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Equipe Gazeta
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