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O olhar atento na prevenção da violência sexual infantojuvenil

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A prevenção da violência sexual infanto-juvenil se dá por meio da informação, do conhecimento acerca do assunto e das possibilidades de ações e intervenções diante destas demandas, tanto na comunidade quanto na clínica médica e psicológica, quanto nas instituições de ensino onde professores e pedagogos estão sempre em contato com as crianças e adolescentes, e onde as mesmas – crianças e adolescentes – passam a maior parte do seu tempo.

 

 

Assim, seguem abaixo algumas considerações realizadas por meio de pesquisa científica sobre o tema:

 

 

Quando se fala em violência logo se pensa no ato de machucar/ferir, deixar marcas e no agir com uso da força, entretanto, de acordo com Polli et al. (2013), a violência sexual pode ser praticada sem o uso de força física, não deixando marcas visíveis, o que consequentemente pode dificultar sua identificação.

 

 

Portanto, quanto mais informações sobre a violência sexual, mais fácil será identificar sinais, por mais sutis que estes sejam. Estes sinais estão relacionados aos comportamentos e também aos sinais no corpo da criança e do adolescente.

 

 

De acordo com as pesquisas acerca do tema em questão, a violência sexual envolvendo crianças e adolescentes ocorre em sua maioria dentro da própria casa, por parte do pai/padrasto/cuidador (POLLI, et al., 2013). Quando o agressor possui algum grau de parentesco com a vítima, este pode aproveitar-se da relação de confiança para aproximar-se da mesma e cometer atos abusivos, considerando que, inicialmente, a vítima pode identificar tal aproximação como uma demonstração de carinho, e sentir-se privilegiada por ter tanta atenção dispensada para com ela (PFEIFFER; SALVAGNI, 2005). Ainda, o agressor pode passar à vítima uma ideia de proteção, e de que atos que comete são aceitáveis, pois ocorrem entre pessoas da mesma família.

 

 

Assim, a prevenção, por meio da educação sexual, é um poderoso recurso que ajudará tanto a criança quanto o adolescente a se defender e a procurar ajuda ao perceber sinais de perigo. Para isso, a comunicação e o diálogo são importantes e devem ser incentivadas/estimuladas pelos cuidadores.

 

 

O abuso sexual pode gerar prejuízos significativos em crianças e adolescentes, bem como consequências físicas, sociais e emocionais, considerando ainda que podem ocorrer comportamentos de isolamento, medo, culpa, vergonha, e dificuldade para estabelecer relacionamentos interpessoais pelo fato de não sentir segurança em confiar nas pessoas (ARPINI; SIQUEIRA; SAVEGNAGO, 2012).

 

 

Referente ao ato do abuso sexual infantil, compreende-se que este pode dar-se entre a criança com um adulto ou entre uma criança com outra criança ou adolescente que, pela idade ou nível de desenvolvimento, está em uma relação de poder com a criança abusada (MOURA, 2007).

 

 

Dessa forma, conhecer os tipos de violência sexual, ajuda na orientação das crianças e adolescente, pois, conforme descrito por Ferrari (2002, p. 84), é considerada violência sexual contra crianças e adolescentes, as seguintes situações:

 

 

  • Não envolvendo contato físico: abuso verbal, telefonemas obscenos, vídeos/filmes obscenos, voyeurismo, pornografia.

 

  • Envolvendo contato físico: atos físico-genitais, que incluem passar a mão, (ou tentativa de), manipulação de genitais […]

 

  • Envolvendo contato físico com violência: estupro, brutalização e assassinato (crianças emasculadas) – no qual estão presentes a força, ameaça ou intimidação.

 

 

Sendo assim, qualquer ato sexual reconhecido como abuso – mesmo que não haja intercurso sexual -, praticado entre um adulto e uma criança, pode acarretar em uma carga de sofrimento para a criança gerando graves danos psicológicos (MOURA, 2009).

 

 

É importante promover a informação sobre a prevenção da violência sexual para que os cuidadores e demais pessoas possam dispor de um olhar atento, garantindo assim, a proteção e os cuidados necessários para o desenvolvimento físico e emocional saudável das crianças e adolescentes.

 

 

Referências:

 

 

Arpini, D. M., Siqueira, A. C. & Savegnago, S. D. O. (2012). Trauma psíquico e abuso sexual: o olhar de meninas em situação de vulnerabilidade. Psicologia Teoria e Prática, 14(2), 88-101.

 

FERRARI, Dalka C. A.; VECINA, Tereza C. C. (orgs.). O fim do silêncio na violência familiar. Teoria e Prática. São Paulo: Editora Agora, 2002.

 

MOURA, Andreina. ALGUNS ASPECTOS SOBRE O ABUSO SEXUAL CONTRA CRIANÇAS. In: EURICO, Alexandre; DA ROCHA, Carmem Suzana; VALLEDA, Circe Terezinha Flesch; KERBES, Fernanda. Revista Digital da Capacitação de Candidatos a Conselheiro(a) Tutelar: Ampliando a proteção à Criança e Adolescente, 2007.

 

POLLI, Rodrigo Gabbi; SAVEGNAGO, Sabrina Dal Ongaro; ARPINI, Dorian Mônica. Psicoterapia e psicoterapeuta: representações de uma criança sob suspeita de abuso sexual. Mudanças-Psicologia da Saúde, v. 21, n. 2, p. 20-29, 2013.Polli et al. (2013)

 

PFEIFFER, L.; SALVAGNI, E. P. (2005). Visão atual do abuso sexual na infância e adolescência. Jornal de Pediatria, 81(5). PFEIFFER; SALVAGNI, 2005.

 

 

 

Autoras:

 

Karolayne Chagas Tromm – discente do curso de psicologia. E-mail: karol_chagas2@hotmail.com

Príncela Santana da Cruz – Professora e Psicóloga Clínica. CRP: 08/22273 – 12/18930. E-mail: princela_cruz@hotmail.com

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Equipe A Gazeta Tresbarrense
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